Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis. Boletim Epidemiológico HIV/Aids. Número Especial | Dezembro de 2025.
Em 2025, quando o Brasil completa 40 anos de resposta ao vírus da imunodeficiência humana (HIV) e à síndrome da imunodeficiência adquirida (aids), esta edição do Boletim apresenta uma leitura integrada da epidemia no país, articulando vigilância, cuidado e resultados em saúde. A publicação chega em um momento simbólico, marcado pelo pleito de certificação nacional da eliminação da transmissão vertical do HIV como problema de saúde pública, e busca oferecer uma síntese clara dos principais indicadores de infecção pelo HIV, aids e mortalidade por aids, com a atualização metodológica para assegurar comparabilidade interna e utilidade programática.
As informações que dão base às análises provêm dos sistemas nacionais – o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), o Sistema de Controle de Exames Laboratoriais (Siscel) e o Sistema de Controle Logístico de Medicamentos (Siclom). Essas bases de dados foram relacionadas, permitindo a construção de um identificador unificado por pessoa e a alocação ao ano do primeiro registro elegível, regra que sustenta as séries históricas. O Censo 2022 foi utilizado como denominador para o cálculo das taxas, diferentemente das edições anteriores do Boletim, em que se utilizaram projeções populacionais do Censo de 2010. Esse fato deve ser levado em consideração na comparação entre as taxas. Registre-se, ainda, que os óbitos e as detecções de 2024 são preliminares e podem ser atualizados.
Duas inovações merecem destaque. A primeira é a estimativa cumulativa de pessoas vivendo com HIV ou aids no período de 1980 a 2025: após o relacionamento entre os quatro sistemas citados, identificaram-se 1.679.622 registros únicos. Trata-se de uma métrica histórica, que dimensiona a magnitude acumulada da epidemia e orienta o planejamento do cuidado ao longo do tempo – sem se confundir com prevalência pontual. A segunda inovação é o reprocessamento da série de infecção pelo HIV, com a integração de Siscel/Siclom ao Sinan e a alocação temporal pelo primeiro registro elegível, o que reduz subnotificações, duplicidades e inconsistências e melhora a leitura das tendências.
No período mais recente, os indicadores apontam estabilidade com leve alta nas detecções de HIV e redução dos casos de aids e da mortalidade por aids. Em 2024, registraram-se 39.216 detecções de infecção pelo HIV no país (18,4 por 100 mil habitantes), frente a 38.222 em 2023 (18,1 por 100 mil habitantes). As “novas entradas elegíveis” para o HIV nas bases integradas, aproximando rastreabilidade do cuidado, mantiveram os casos em patamar semelhante (68.292 em 2023 e 68.419 em 2024). Entre os casos de aids, observou-se redução de 1,5% – de 37.527 (2023) para 36.955 (2024), com queda da taxa de 17,7 para 17,4 por 100 mil habitantes. Na mortalidade por aids, os óbitos declinaram 12,8%, passando de 10.500 (2023) para 9.157 (2024), e a taxa padronizada recuou de 3,9 para 3,4 óbitos por 100 mil habitantes, alcançando o menor índice da série (Figura-resumo). No período analisado, somam-se 1.165.533 casos de aids (1980 a 30/09/2025) e 402.300 óbitos por aids (1980 a 2024).
O componente materno-infantil confirma os avanços. Entre gestantes, parturientes ou puérperas com HIV, os registros caíram de 8.166 (2023) para 7.523 (2024), redução de 7,9%, com taxa estável em torno de 3,2 gestantes, parturientes ou puérperas por 1.000 nascidos vivos. Entre crianças expostas, observou-se decréscimo de 4,2% – de 7.121 (2023) para 6.819 (2024) casos. À luz dos critérios internacionais, entende-se por eliminação da transmissão vertical do HIV a manutenção de taxa de transmissão vertical inferior a 2% (crianças com infecção pelo HIV por mães HIV positivas). Os resultados nacionais, aliados à qualificação do pré-natal, ao diagnóstico precoce e à terapia antirretroviral em tempo oportuno, reforçam o pleito para a certificação nacional da eliminação da transmissão vertical do HIV como problema de saúde pública.
A interpretação integrada desses achados aponta para um círculo virtuoso: testagem ampliada e mais oportuna, início imediato da terapia antirretroviral combinada (Tarv) e maior supressão viral contribuem para reduzir a progressão para aids e a mortalidade associada, enquanto a modernização dos esquemas terapêuticos, a prevenção combinada e o monitoramento do cuidado reforçam a retenção ao serviço e ao cuidado, bem como a adesão ao tratamento.
(…)
Disponível Em: <https://www.gov.br/>