Sistematizamos as principais questões abordadas durante o encontro com Encontro com as Especialistas Cristina Barroso Hofer, médica, professora do Departamento de Doenças Infecciosas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Heloiza Helena Silveira, médica pediatra, coordenadora da emergência pediátrica do Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG/UFRJ), transmitido em 06/02/2024.
![]() | Texto e Fluxograma atualizados. Veja também: Postagem sobre o tema |
A dengue é uma uma arbovirose transmitida por mosquitos, no Brasil é transmitido principalmente pelo Aedes Aegypti, que é um Flavivírus, da família flaviridae. Atualmente temos 5 sorotipos descritos, o 5º sorotipo é zoonótico e não tem importância epidemiológica, nem clínica para a nossa realidade.
A imunidade da Dengue é soro específica, isso significa que se uma pessoa se contaminar com o sorotipo a chance de se contaminar novamente com o mesmo sorotipo é pequena, entretanto não protege contra os demais sorotipos. A contaminação pelo vírus da Dengue se dá principalmente durante o verão, especialmente nos verões mais quentes e mais chuvosos.
Como outras doenças infecciosas, a Dengue possui uma gravidade bicaudal que é o fenômeno de maior gravidade e mortalidade nos extremos das faixas etárias, ou seja nos lactentes e nos idosos.
Breve explicação sobre a fisiopatogenia da Dengue: após o contato com o vírus o mesmo vai para a corrente sanguínea do hospedeiro, aqui temos a fase febril da doença, nessa fase febril temos uma resposta imunológica celular e humoral com produção de anticorpos, inclusive com anticorpos neutralizantes para controlar/diminuir a febre. Uma pequena parte da população irá evoluir para a fase crítica onde há os estímulo exacerbado de anticorpos neutralizantes que não são capazes de fazer a defesa contra a Dengue, entretanto são capazes de estimular uma cascata inflamatória com aumento de fator de necrose tumoral, interferon alfa levando a diminuição de megacariócitos na medula produzindo uma trombocitopenia e extravasamento de líquido intravascular para o extravascular com hemoconcentração.
Caso suspeito de Dengue: todo paciente que apresente doença febril agudo com duração máxima de 07 dias, acompanhada de pelos menos dois ou mais dos seguintes sinais ou sintomas: cefaleia, dor retro orbitária, mialgia, artralgia, prostração ou exantema, associado ou não a sangramentos, com história epidemiológica positiva. Também pode ser caso suspeito criança proveniente ou residente em área endêmica que apresente quadro febril sem sinais de localização da doença ou na ausência de sintomas respiratórios.
Sinais de alerta na Dengue
Sinais de Dengue Grave
Diagnóstico da Dengue
Na fase de viremia (até aproximadamente o 4º dia) da doença deve-se procurar o vírus no sangue assim os exames que devem ser solicitados são ou o PCR ou teste de antígenos (por exemplo o teste NS1).
Entre o 5º e o 6º dia da doença esse quadro de viremia tende a diminuir com aumento dos anticorpos, o IGM nesse momento é o principal marcador para verificarmos o curso de uma doença aguda.
A partir do da avaliação da criança a mesma deve ser classificada de acordo com o seu quadro clínico e situação de vulnerabilidade. Atualmente o Ministério da Saúde disponibiliza fluxograma com os sinais e sintomas, classificação dos casos de Dengue e condutas. Para acessar: Fluxograma do Manejo Clínico da Dengue.
Atenção: Em crianças que apresentam sinais de choque compensado (pressão sistólica mantida para a idade, sinais de redução de perfusão, confusão mental, irritabilidade, tempo de preenchimento capilar prolongado) deve-se iniciar a hidratação com cristaloides (10-20ml/kg/hora), tal hidratação deve ser cuidadosamente (re)avaliada para que o profissional consiga determinar o momento de cessar a hidratação venosa. Caso não haja melhora, o hematócrito da criança precisa ser checado, caso o mesmo esteja aumentando a hidratação deve ser mantida por pelo menos mais 01 horas com (re) avaliação, caso o hematócrito esteja diminuindo precisa ser avaliada a necessidade de transfusão sanguínea.
Criança que chega na emergência com choque hipovolêmico, inicia-se a hidratação com os cristalóides (15-20 ml/kg/hora) em 15 a 30 minutos, avalia a melhora e caso não haja é necessário avaliar possíveis sangramentos. Caso o hematócrito, após duas etapas de hidratação venosa, se mantiver alto, há a possibilidade, segundo diretrizes do Ministério da Saúde, para administrar colóides, com indicação para o soro albuminado.
Quando suspeitar do sangramento? Quando houver reposição volêmica e o hematócrito estiver diminuindo sem a normalização da pressão arterial. No caso de sangramento a transfusão sanguínea deve ser iniciada o mais precocemente possível com o concentrado de hemácias 10 – 15ml/kg.
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FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira. Portal de Boas Práticas em Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente. Postagens: Principais Questões sobre Abordagem da Criança com Dengue na Emergência. Rio de Janeiro, 24 mar. 2025. Disponível em: <https://portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br/atencao-crianca/principais-questoes-sobre-abordagem-da-crianca-com-dengue-na-emergencia>.