Série Desospitalização de Crianças com Condições Crônicas Complexas de Saúde (CCC)
Sistematizamos as principais questões abordadas no dia 29/11/2022 durante Encontro com a Especialista Kátia Moss, Psicóloga do Programa de Desospitalização no Instituto Fernandes Figueira (IFF/FIOCRUZ) transmitido em 29/11/2022.
![]() | Veja também Postagem em apresentação de slides: Desospitalização de Crianças com CCC: aspectos psicossociais |
Com a transição clínico epidemiológica, os avanços socioeconômicos-sanitários e as conquistas técnico-científicas houve uma mudança importante no cenário pediátrico e aumento da sobrevida das crianças. Antes, observava-se uma mortalidade significativa no primeiro ano de vida.
Definição de criança com condição crônica complexa (CCC): criança que apresenta característica como a presença de qualquer doença, cuja duração mínima esperada seja de 12 meses com envolvimento de mais de um órgão ou sistema, ou apenas um órgão de forma severa, necessitando de acompanhamento especializado e provavelmente, um período de internação em hospital terciário.
Uma doença crônica ao longo da vida, muitas vezes incurável e tão grave que pode acometer múltiplos órgãos e/ou sistemas do corpo por provocar:
Desospitalização: retirada do ambiente hospitalar para o domiciliar de forma segura e responsável com base em um planejamento minucioso e sistemático quando o paciente já não é considerado de alta complexidade, mas de alta dependência.
Determinantes da relação ambiente/família: desemprego, condições precárias de vida, violência doméstica, desagregação de laços sociais, impasses para a formação de rede de apoio (fundamental para a família de uma CCC). Observa-se ainda a manifestação de raiva, rancor, ressentimentos, sobrecarga que são fatores de risco para o paciente e cuidador. Entretanto, observa-se também em determinadas situação estímulos positivos: família coesa, vínculos bem definidos, vida financeira organizada, fatores de proteção à saúde mental dos envolvidos na desospitalização, amplia sentimentos de segurança e confiança, fortalece vínculos.
A família é compreendida como uma unidade de cuidados que apresenta demandas espirituais, sociais, econômicas, físicas, emocionais e psicológicas.
A família do paciente pediátrico vivencia direta e indiretamente essa atmosfera de cuidar e interage com a equipe multiprofissional na tomada de decisões e na prestação direta de cuidados embasados nos seus próprios saberes e/ou nas diretrizes da equipe.
A família como “unidade cuidadora” deve estabelecer alianças entre escolas, práticas de fé, comunidade, unidade básica de saúde e outros equipamentos sociais. A família é parte importante da gestão de cuidado, por isso é fundamental o estabelecimento do vínculo duradouro, de confiança, pautada em uma comunicação regular e transparente.
Essas condições resultam em eficácia das intervenções clínicas, diagnósticas, terapêuticas ou de reabilitação. O contato estreito com as famílias possibilita a identificação de demandas que convocam a equipe às tomadas de decisões.
As equipes devem estar atentas às s seguintes singularidades existentes:
Atenção: a sobrecarga do cuidador é definida quando se observa objetivamente danos físicos e/ou mentais e a sensação negativa advinda do ato de cuidar o que pode propiciar o surgimento de transtornos emocionais. Observa-se ainda no contexto de cuidado de CCC o sofrimento conjugal, assim conflitos na relação conjugal, aumentam consideravelmente o nível de carga de cuidado para uma das partes.
Ferramentas que podem ser utilizadas para minimizar os desafios relacionados aos cuidados de crianças com CCC
Tecnologias leves que são tecnologias de relações como acolhimento, vínculo, autonomização, responsabilização e gestão como forma de governar processos de trabalho.
Ferramentas consideradas como tecnologias leves:
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FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira. Portal de Boas Práticas em Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente. Postagens: Principais Questões sobre Desospitalização de Crianças com CCC: aspectos psicossociais. Rio de Janeiro, 22 jan. 2026. Disponível em:<https://portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br/atencao-crianca/principais-questoes-sobre-desospitalizacao-de-criancas-com-ccc-aspectos-psicossociais>.