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Principais Questões sobre Insuficiência Hepática na Criança: sinais de alerta e abordagem

19 jan 2023

Sistematizamos as principais questões abordadas durante Encontro com a Especialista Daniele Pestana, médica gastroenterologista pediátrica, realizado em 13/09/2021.

A Insuficiência Hepática Aguda Pediátrica é uma síndrome complexa, de rápida progressão, que acomete todas as idades e é a via final comum para muitas condições díspares, algumas conhecidas e outras ainda não identificadas. A Insuficiência Hepática Aguda se manifesta dentro de 8 semanas após o início da doença hepática clínica em paciente sem evidência prévia de doença hepática crônica.

Outras denominações para a Insuficiência Hepática Aguda: Hepatite Fulminante, Falência Hepática Aguda ou Necrose Hepática Aguda.

O curso natural da doença é dinâmico e imprevisível, mas com o advento do transplante hepático houve uma diminuição na mortalidade por esta causa.

Precisa-se avaliar a evidência bioquímica de lesão hepática e coagulopatia. Para tanto, é necessário solicitar exames laboratoriais.

Durante a anamnese é importante questionar sobre início dos sintomas, sobre a exposição a fatores que podem ter desencadeado o quadro clínico, se há uso de drogas lícitas e ilícitas, uso de medicamentos, doenças psiquiátricas, infecções e outras informações que possam contribuir com o raciocínio clínico.

No exame físico é importante observar a presença de hematomas, equimoses, edema e ascite. 

Sinais de insuficiência hepática crônica: telangiectasia, baqueteamento digital, eritema palmar, fígado endurecido, esplenomegalia significativa, tais sinais/sintomas afastam o diagnóstico de insuficiência hepática aguda, já que um dos preceitos para esse diagnóstico é uma falência hepática sem diagnóstico prévio de hepatopatia.

O início preciso da insuficiência hepática raramente é identificado. Os sintomas podem persistir por dias ou semanas até que a criança seja levada ao médico. Os sinais/sintomas observados são a deterioração hepática com sinais de hipoglicemia, encefalopatia, edema cerebral, falência de órgão e óbito.

Importante: avaliar encefalopatia hepática (utilizar critérios para definir o grau de encefalopatia), solicitar exames complementares: exames de imagem como tomografia ou ressonância magnética de crânio, radiografia de tórax, eletrocardiograma, ultrassonografia com doppler hepático, ecocardiograma e exames laboratoriais.

Compreender a etiologia é muito importante para se verificar quais as causas são tratáveis: doenças virais, uso de medicamentos, doenças metabólicas e doenças cardiovasculares são as principais causas com possibilidade de intervenção/tratamento.

Abordagem inicial: guiada pela idade do paciente, o profissional precisa identificar se há causas tratáveis. Identificar e tratar as complicações (é importante dar o suporte adequado) e identificar precocemente a necessidade de transplante hepático.

Importante:

  • Há poucas doenças com um curso tão devastador como a insuficiência hepática aguda.
  • A mortalidade varia de acordo com o suporte intensivo e a experiência da equipe de assistência.
  • A identificação precoce da necessidade de transplante hepático e o encaminhamento ao centro transplantador pode mudar o curso natural da doença.
  • A redução do tempo entre diagnóstico, listagem e transplante hepático é fundamental para o bom desfecho do quadro.

  Abaixo, gravação do Encontro na íntegra.

Perguntas & Respostas

 

Como citar

FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira. Portal de Boas Práticas em Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente. Postagens: Principais Questões sobre Insuficiência Hepática na Criança: sinais de alerta e abordagem. Rio de Janeiro, 19 jan. 2023. Disponível em: <https://portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br/atencao-crianca/principais-questoes-sobre-insuficiencia-hepatica-na-crianca-sinais-de-alerta-e-abordagem/>.

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