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Principais Questões sobre Segurança do Paciente no Contexto da Cirurgia Pediátrica

9 set 2026

Dia Mundial de Segurança do Paciente 2026

Sistematizamos as principais questões abordadas durante Encontro com a Especialista Cláudia Regadas, cirurgiã pediátrica, integrante do Núcleo de Segurança do Paciente do IFF/Fiocruz, realizado em 21/09/2021.

Ao longo do tempo, a cirurgia pediátrica evoluiu significativamente, buscando constantemente aprimorar a qualidade e a segurança dos cuidados de saúde. Desde os primeiros procedimentos cirúrgicos em crianças até os avanços tecnológicos e técnicas modernas, tem havido uma crescente preocupação em garantir que os pacientes pediátricos recebam cuidados seguros e eficazes.

O Plano de Ação Global de Segurança do Paciente da Organização Mundial da Saúde – OMS 2021 – 2030tem como objetivo eliminar riscos evitáveis e garantir cuidados seguros de modo a alcançar o máximo possível de redução de danos evitáveis relacionados ao cuidado inseguro globalmente. Tem como missão impulsionar políticas, estratégias e ações baseadas em ciência, experiência do paciente, design de sistemas e parcerias para eliminar toda fonte de risco e dano evitável.

 

Evolução da segurança em cirurgia

  • 2004: a OMS considerou a realização de cirurgias um problema de Saúde Pública mundial, devido a quantidade de pessoas expostas a esse risco. À época, estimou-se 7 milhões de complicações incapacitantes e 1 milhão de óbitos em decorrência de cirurgias.
  • 2008: a OMS lança o segundo desafio global (cirurgias seguras) para a segurança do paciente, o primeiro foi a lavagem das mãos. Para a realização de cirurgias seguras foi proposto o uso de uma lista de verificação – Checklist lançado em 2009 com impactos na redução de óbitos de até 50% em países em desenvolvimento e 30% em países desenvolvidos
  • 2012/2013: no Brasil foram constatados que dentre os pacientes operados 6% sofreram com algum evento adverso, mais de 60% desses eventos adversos seriam evitáveis, 1 em cada 5 desses eventos resultaram em incapacidade permanente ou óbito.
  • 2013: no Brasil o Ministério da Saúde lança o Programa de Segurança do Paciente que estabelece obrigatoriedade de ações de promoção de cirurgias seguras com base na lista de verificação proposta pela OMS.
  • 2018 a 2020: A Agência Nacional de Vigilância iniciou o recebimento de falhas assistenciais e os eventos adversos cirúrgicos foram a 3ª causa mais frequente sendo a retenção não intencional de corpo estranho como o principal evento
  • 2020: dados dos Estados Unidos (Joint Commission) mostraram que as causas mais frequentes de eventos adversos estão associados às cirurgias e alertam para uma subnotificação dos eventos adversos. 
Lista de Verificação de Segurança Cirúrgica (OMS) – versão em Português
WHO Patient Safety & World Health Organization (2009). Implementation manual WHO surgical safety checklist 2009 : safe surgery saves livesWorld Health Organization. https://iris.who.int/handle/10665/44186

 

Por que, apesar dos checklists, ainda há falhas?

As falhas ainda ocorrem porque os profissionais ainda têm problemas na tomada de decisões e no viés cognitivo. O viés cognitivo é um atalho mental que leva a desvios de racionalidade e lógica nos processos de tomada de decisão. 

O viés cognitivo ocorre porque padrões são criados baseados nas experiências e percepções pessoais prévias, que distorcem a avaliação e julgamento dos profissionais.

55% dos eventos adversos cirúrgicos relacionam-se à falhas humanas. Destas, 50% ocorrem por viés cognitivo (situações em que o cérebro “prega uma peça”).

  • Quem nunca persistiu em uma ação, ignorando as evidências que sugeriam que aquela não era a melhor ideia para a situação?
  • Ou que procurou apenas pelas evidências que queria encontrar? 
  • Ou que se perdeu em seus próprios pensamentos? 

É fundamental que os profissionais de saúde sejam treinados para perceberem como podem ser induzidos ao erro. 

Raridade e gravidade dos Eventos Adversos: quanto mais raro o evento, menor a percepção de que ele pode ocorrer e que seu efeito será catastrófico para o paciente, para os colaboradores envolvidos e para a instituição. A maioria dos eventos adversos graves é rara. 

 

Como mitigar o risco na falha do cuidado cirúrgico?  

É fundamental a utilização do checklist de cirurgia segura

Além disso, é fundamental ter atenção aos fatores sistêmicos que podem resultar em dano ao paciente. 

Investir em múltiplas barreiras para desalinhar os “furos do queijo” (modelo Queijo Suiço) é evitar que um perigo perpasse o sistema e seja entregue ao paciente gerando dano. 

Princípios de abordagem do fator humanoajudam a diminuir a chances de erros:

  • Evitar excesso de confiança na memória
  • Simplificar ações
  • Padronizar processos
  • Adotar medidas restritivas
  • Utilizar protocolos e listas de verificação
  • Melhorar o acesso à informação
  • Dedicar especial atenção às transferências de responsabilidade

Melhorar a devolutiva de informação (feedback):

  • Cultura Justa: é uma atmosfera de confiança na qual as pessoas são estimuladas, e até mesmo recompensadas, por apresentar informações essenciais de segurança –  mas na qual também está claro onde é preciso traçar o limite entre o comportamento aceitável e o inaceitável. Reconhecimento, apoio, treinamento e erradicar comportamentos imprudentes são atos importantes para a construção de uma cultura justa
  • O checklist é apenas um instrumento. Para que haja efeito na segurança do cuidado é necessário seguir, de fato, todos os seus itens. Esse instrumento ajuda a evitar o viés de cognição. 
  • Quem vai resolver o problema da segurança do paciente nas cirurgias é a equipe! Sabe-se que é necessário que toda a equipe esteja implicada no processo de melhoria na qualidade do serviço. O envolvimento e treinamento de todos é fundamental. 

Algumas estratégias podem ser utilizadas como ISCAR, PIS e Comunicação em circuito fechado conforme abaixo:

ISCAR

  • Identificação
  • Situação
  • Contexto
  • Avaliação
  • Recomendação

PIS

  • Estou Preocupado…
  • Estou Inseguro…
  • Estou assustado… Essa é uma questão de Segurança… PARE.

Comunicação em circuito fechado
Por exemplo: o profissional que recebeu verbalmente a identificação de uma amostra cirúrgica deve, em primeiro lugar, escrever o que ouviu e então “ler de volta” para que o informante confirme a adequação dos dados

Quando ocorre o Evento Adverso, ação imediata deve ser tomada.

Apoio ao paciente e familiares, evitar recorrências com notificação, investigação adequada do incidente e medidas para evitar novos erros (plano de ação), apoio aos profissionais e atuação na gestão do risco institucional. 

 

Gravação na íntegra

 

Perguntas & Respostas

 

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Como citar

FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira. Portal de Boas Práticas em Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente. Postagens: Principais Questões sobre Segurança do Paciente no Contexto da Cirurgia Pediátrica. Rio de Janeiro, 9 set. 2026. Disponível em:<https://portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br/atencao-crianca/principais-questoes-sobre-seguranca-do-paciente-cirurgia-pediatrica>.

Tags: Dia Mundial da Segurança do Paciente, Posts Principais Questões