Dia Mundial de Segurança do Paciente 2026
Sistematizamos as principais questões abordadas durante Encontro com a Especialista Cláudia Regadas, cirurgiã pediátrica, integrante do Núcleo de Segurança do Paciente do IFF/Fiocruz, realizado em 21/09/2021.
Ao longo do tempo, a cirurgia pediátrica evoluiu significativamente, buscando constantemente aprimorar a qualidade e a segurança dos cuidados de saúde. Desde os primeiros procedimentos cirúrgicos em crianças até os avanços tecnológicos e técnicas modernas, tem havido uma crescente preocupação em garantir que os pacientes pediátricos recebam cuidados seguros e eficazes.
O Plano de Ação Global de Segurança do Paciente da Organização Mundial da Saúde – OMS 2021 – 2030 – tem como objetivo eliminar riscos evitáveis e garantir cuidados seguros de modo a alcançar o máximo possível de redução de danos evitáveis relacionados ao cuidado inseguro globalmente. Tem como missão impulsionar políticas, estratégias e ações baseadas em ciência, experiência do paciente, design de sistemas e parcerias para eliminar toda fonte de risco e dano evitável.
Evolução da segurança em cirurgia
![]() | Lista de Verificação de Segurança Cirúrgica (OMS) – versão em Português WHO Patient Safety & World Health Organization (2009). Implementation manual WHO surgical safety checklist 2009 : safe surgery saves lives. World Health Organization. https://iris.who.int/handle/10665/44186 |
Por que, apesar dos checklists, ainda há falhas?
As falhas ainda ocorrem porque os profissionais ainda têm problemas na tomada de decisões e no viés cognitivo. O viés cognitivo é um atalho mental que leva a desvios de racionalidade e lógica nos processos de tomada de decisão.
O viés cognitivo ocorre porque padrões são criados baseados nas experiências e percepções pessoais prévias, que distorcem a avaliação e julgamento dos profissionais.
55% dos eventos adversos cirúrgicos relacionam-se à falhas humanas. Destas, 50% ocorrem por viés cognitivo (situações em que o cérebro “prega uma peça”).
É fundamental que os profissionais de saúde sejam treinados para perceberem como podem ser induzidos ao erro.
Raridade e gravidade dos Eventos Adversos: quanto mais raro o evento, menor a percepção de que ele pode ocorrer e que seu efeito será catastrófico para o paciente, para os colaboradores envolvidos e para a instituição. A maioria dos eventos adversos graves é rara.
Como mitigar o risco na falha do cuidado cirúrgico?
É fundamental a utilização do checklist de cirurgia segura.
Além disso, é fundamental ter atenção aos fatores sistêmicos que podem resultar em dano ao paciente.
Investir em múltiplas barreiras para desalinhar os “furos do queijo” (modelo Queijo Suiço) é evitar que um perigo perpasse o sistema e seja entregue ao paciente gerando dano.
Princípios de abordagem do fator humano – ajudam a diminuir a chances de erros:
Melhorar a devolutiva de informação (feedback):
Algumas estratégias podem ser utilizadas como ISCAR, PIS e Comunicação em circuito fechado conforme abaixo:
ISCAR
PIS
Comunicação em circuito fechado
Por exemplo: o profissional que recebeu verbalmente a identificação de uma amostra cirúrgica deve, em primeiro lugar, escrever o que ouviu e então “ler de volta” para que o informante confirme a adequação dos dados
Quando ocorre o Evento Adverso, ação imediata deve ser tomada.
Apoio ao paciente e familiares, evitar recorrências com notificação, investigação adequada do incidente e medidas para evitar novos erros (plano de ação), apoio aos profissionais e atuação na gestão do risco institucional.
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FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira. Portal de Boas Práticas em Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente. Postagens: Principais Questões sobre Segurança do Paciente no Contexto da Cirurgia Pediátrica. Rio de Janeiro, 9 set. 2026. Disponível em:<https://portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br/atencao-crianca/principais-questoes-sobre-seguranca-do-paciente-cirurgia-pediatrica>.