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Coronavírus e Gestação

19 mar 2020

Publicado em 19/03/2020 | Atualizado em 20/03/2020 16h33 (horário de Brasília)

Dados limitados estão disponíveis sobre o Coronavírus (COVID-19), no entanto, informações sobre doenças associadas com outros coronavírus altamente patogênicos – como a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) e a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS) – podem fornecer informações sobre os efeitos durante a gravidez.

Os princípios do manejo do COVID-19 na gravidez incluem:

  • Procedimentos para controle de infecções e isolamento precoce – limitar o acesso de visitantes e profissionais de saúde a quartos de pacientes com uma confirmação ou caso suspeito;
  • Considerar oxigenoterapia precoce (saturações alvo de O2 ≥95% e / ou pO2 ≥70mmHg);
  • Considerar ventilação mecânica precoce quando houver evidência de avanço da insuficiência respiratória. Técnicas de ventilação não invasiva podem ter um pequeno aumento do risco de aspiração em gravidez;
  • Prevenção de sobrecarga de fluidos – utilizar fluidos intravenosos de maneira conservadora, a menos que haja instabilidade cardiovascular;
  • Controle empírico de antibióticos – considerar terapia antimicrobiana devido ao risco de infecções bacterianas sobrepostas;
  • Rastreio de outras infecções respiratórias virais e infecções bacterianas (devido ao risco de coinfecções);
  • Considerar o tratamento empírico para a gripe, enquanto se aguarda o teste diagnóstico;
  • Se houver suspeita de choque séptico, instituir um tratamento imediato e direcionado;
  • Não utilizar rotineiramente corticosteroides – o uso de esteróides para promover a maturidade fetal em parto prematuro antecipado pode ser considerado individualmente;
  • Monitoramento da frequência cardíaca fetal;
  • Monitoramento da contração uterina;
  • Planejamento individualizado do parto;
  • Abordagem baseada em equipe multidisciplinar;
  • Alterações no padrão da frequência cardíaca fetal podem ser um indicador precoce da piora da respiração materna.
  • Deve-se avaliar com cautela se o parto fornece benefícios à uma gestante gravemente doente.
  • A decisão quanto ao parto deve considerar a idade gestacional do feto e deve ser feita em conjunto com o neonatologista.

Como o COVID-19 pode aumentar o risco de complicações na gravidez, o manejo deve ser idealmente em um estabelecimento de saúde com monitoramento materno e fetal.

Essas considerações se baseiam nas evidências limitadas disponíveis até o momento sobre a transmissão do COVID-19 e no conhecimento de outros vírus que causam doenças respiratórias graves, incluindo influenza, coronavírus da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS-CoV) e a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS-CoV).

As abordagens descritas são intencionalmente cautelosas até que dados adicionais sejam disponibilizados para refinar as recomendações de prevenção da transmissão de pessoa para pessoa em ambientes de cuidados obstétricos de internação.

 

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Referências citadas

Tags: Coronavírus COVID-19