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Principais Questões sobre Ansiedade e Depressão na Transição para menopausa e pós-menopausa

12 ago 2026

Sintetizamos e atualizamos as principais questões abordadas no dia 17/03/2022, durante Encontro com os Especialistas Marco Antônio Brasil, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e chefe do Departamento de Psiquiatria e Medicina Legal da Faculdade de Medicina da UFRJ, e Lizanka Marinheiro, médica endocrinologista do IFF/Fiocruz.

Durante a transição para menopausa e pós-menopausa, período marcado por intensas transformações hormonais e psicossociais na vida das mulheres, sintomas como ondas de calor, sudorese noturna e insônia são muito comuns. Entretanto, além desses sintomas físicos, observa-se com frequência o surgimento de alterações do humor, como ansiedade e depressão, que representam desafios significativos para profissionais de saúde da atenção básica, da clínica geral e das especialidades.

Tristeza x Depressão x Ansiedade

É fundamental compreender a diferença entre tristeza e depressão, a fim de evitar a medicalização de sentimentos humanos universais. A tristeza é uma emoção normal, esperada diante de eventos da vida, e não deve ser automaticamente confundida com depressão.

A tendência crescente de transformar manifestações emocionais legítimas em transtornos psiquiátricos, amplamente discutida na literatura especializada, tem implicações importantes no cuidado à saúde mental das mulheres, particularmente na transição para menopausa e pós-menopausa. Autores como Eduardo Schenberg e Allan Horwitz, em obras como “Como Todo Mundo Se Tornou Deprimido” e “A Perda da Tristeza”, discutem criticamente o papel da psiquiatria moderna na redefinição da tristeza como patologia, alertando para os riscos da medicalização excessiva.

A depressão, de fato, é uma síndrome complexa, caracterizada por humor deprimido, anedonia (perda de interesse e prazer), alterações de apetite e sono, fadiga, sentimentos de inutilidade ou culpa, dificuldade de concentração, isolamento social e, em casos graves, ideação suicida. Esses sintomas não devem ser atribuídos a um único fator, mas analisados dentro de um modelo biopsicossocial que considere aspectos biológicos, emocionais, familiares, sociais e culturais.

No caso da transição para menopausa e pós-menopausa, a vulnerabilidade à depressão pode ser intensificada por contextos de violência doméstica, solidão, desemprego, obesidade, tabagismo e desigualdades sociais mais amplas.

Também é essencial reconhecer a existência de diferentes tipos e graus de depressão. Transtornos depressivos leves podem se confundir com sentimentos transitórios de tristeza, enquanto quadros melancólicos graves exigem abordagem intensiva e imediata. A identificação da gravidade e da funcionalidade comprometida é essencial para o diagnóstico correto e o manejo adequado.

O diagnóstico da depressão deve incluir investigação cuidadosa de possíveis causas orgânicas, especialmente na transição para menopausa e pós-menopausa, período em que desequilíbrios hormonais, uso de medicamentos como corticóides, e outras condições clínicas podem mimetizar quadros depressivos. Episódios depressivos únicos podem estar relacionados a eventos de vida significativos, como o luto, exigindo avaliação contextualizada. A distinção entre episódios únicos e transtornos depressivos recorrentes ou transtorno bipolar também é fundamental para o direcionamento terapêutico.

No que diz respeito à ansiedade, destaca-se que se trata de uma resposta normal ao estresse, perigo ou incertezas da vida. Contudo, quadros ansiosos se tornam patológicos quando comprometem significativamente a funcionalidade do indivíduo. Os transtornos de ansiedade incluem desde a ansiedade generalizada, passando pelas fobias específicas e sociais, até os ataques de pânico, caracterizados por crises súbitas de medo intenso e sensação iminente de morte.

É comum observar a coexistência de sintomas ansiosos e depressivos, o que exige dos profissionais de saúde uma escuta qualificada e avaliação clínica criteriosa.

A sobreposição de sintomas, como insônia, alterações de apetite e humor, pode dificultar o diagnóstico, exigindo sensibilidade para reconhecer o sofrimento psíquico em suas múltiplas manifestações.

Além disso, é necessário considerar que alterações de comportamento, como isolamento social, irritabilidade, perda de libido, dificuldade de concentração e sensação de exaustão, podem estar ligadas a situações de vida e relações interpessoais – por exemplo, problemas no relacionamento conjugal, uso de álcool e outras substâncias, ou estressores socioeconômicos.

O aumento da dependência de álcool entre mulheres na transição para menopausa e pós-menopausa é uma questão relevante, que merece atenção especial dos profissionais.

O reconhecimento dos fatores biopsicossociais associados à saúde mental durante a transição para menopausa e pós-menopausa permite compreender este período como uma janela de vulnerabilidade, e não como causa direta de depressão e ansiedade.

Mulheres com histórico anterior de transtornos depressivos têm maior propensão a vivenciar recaídas nesse período, o que reforça a importância de uma abordagem integral, que vá além da prescrição de medicamentos.

Em termos de tratamento, os antidepressivos são indicados para casos de depressão leve a moderada. Nos casos graves, a eletroconvulsoterapia ainda é uma opção utilizada mundialmente. O uso de hormônios no tratamento da depressão permanece controverso e carece de evidências conclusivas. Dessa forma, o cuidado deve sempre partir de uma avaliação individualizada, centrada na mulher, considerando o contexto de vida, as condições sociais e os determinantes de saúde que impactam sua trajetória.

Reconhecer a transição para menopausa e pós-menopausa como fase crítica da vida reprodutiva das mulheres, permeada por transformações físicas e emocionais, é essencial para que a rede de atenção à saúde esteja preparada para oferecer cuidado integral, acolhedor e sensível às suas necessidades, prevenindo o adoecimento mental e promovendo qualidade de vida.

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Como citar

FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira. Portal de Boas Práticas em Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente. Postagens: Principais Questões sobre Ansiedade e Depressão na Transição para menopausa e pós-menopausa. Rio de Janeiro, 12 ago. 2026. Disponível em: <https://portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br/atencao-mulher/‎principais-questoes-sobre-ansiedade-e-depressao-menopausa-e-pos>.

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