Sistematizamos as principais questões abordadas no dia 03/02/2022 durante o Encontro com as Especialistas da Comissão Nacional Especializada em Hiperglicemia e Gestação da FEBRASGO, Elaine Dantas Moisés, professora do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP), diretora do Centro de Referência da Saúde da Mulher de Ribeirão Preto (CRSMRP-MATER); Lenita Zajdenverg, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), coordenadora da Unidade de Transtornos Endocrinometabólicos da Maternidade Escola da UFRJ; Rosiane Mattar, médica obstetra, professora do Departamento de Obstetrícia da Escola Paulista de Medicina (EPM-Unifesp); e Rossana Pulcineli Francisco, médica obstetra, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), chefe da Divisão de Obstetrícia e Ginecologia do Hospital Universitário da USP e presidente da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (SOGESP).
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O documento “Cuidados obstétricos no diabetes gestacional no Brasil” é resultado de uma colaboração entre diversas instituições, incluindo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), Ministério da Saúde e Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). O esforço responde a desafios globais apontados pela Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia, destacando o Brasil como um dos oito países com alta prevalência de diabetes gestacional, representando 55% dos casos de diabetes relacionados à gestação no mundo.
Documentos técnicos publicados desde 2017 têm orientado a prevenção, o diagnóstico e o tratamento do diabetes gestacional, enfatizando a organização da rede de atenção à saúde, a classificação dos tipos de diabetes e o manejo clínico das gestantes. Esses documentos são fundamentados em análises de viabilidade financeira e disponibilidade técnica, conciliando demandas e recursos para oferecer uma assistência integral e diferenciada a mulheres e recém-nascidos. Eles categorizam o diabetes em dois grupos principais: diabetes gestacional, diagnosticado durante a gestação, e diabetes na gestação, diagnosticado antes da gravidez.
Além disso, os documentos detalham a organização da rede de saúde, considerando a alocação de recursos e a capacitação de recursos humanos, com o objetivo de atender adequadamente diferentes perfis de pacientes. A proposta inclui uma rede de cuidados abrangendo desde o período pré-concepcional, com avaliações de lesões em órgãos, diagnóstico de comorbidades, controle glicêmico e orientações terapêuticas.
Em relação ao diabetes gestacional, destaca-se a divisão entre dois grupos de pacientes: aquelas com controle clínico eficaz por métodos não farmacológicos e aquelas com complicações, que devem ser priorizadas em maternidades secundárias. Também são enfatizados cuidados específicos para mulheres com condições como obesidade e dislipidemias, visando reduzir riscos associados.
O objetivo principal dos documentos é garantir assistência integral, prevenir complicações e promover a saúde materno-fetal durante a gestação e no período pós-parto, considerando a diversidade de situações clínicas das pacientes.
Principais Diretrizes
As diretrizes apresentadas no documento têm como objetivo proporcionar assistência integral às gestantes com diabetes, prevenindo complicações e promovendo a saúde materno-fetal.
Critérios para Encaminhamento ao Pré-Natal de Alto Risco
A necessidade de acompanhamento em serviços de alto risco é indicada nos seguintes casos:
É importante ressaltar que a atenção primária continua sendo o eixo condutor da assistência, devendo continuar o acompanhamento da mulher durante e após o parto.
Recomendações Pré-Concepcionais
Mulheres com diabetes tipo 1 devem ser orientadas a planejar a gestação, alcançando controle glicêmico adequado antes de engravidar. A hemoglobina glicada deve estar em torno de 6%, minimizando riscos de malformações fetais e outras complicações. Além disso, são recomendados exames oftalmológicos e nefrológicos prévios para monitorar e tratar condições pré-existentes, como retinopatias e doenças renais, que podem se agravar durante a gestação.
A organização da atenção pré-natal, a capacitação das equipes de saúde e o manejo adequado do diabetes são pilares fundamentais para a redução dos riscos associados a esta condição.
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FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira. Portal de Boas Práticas em Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente. Postagens: Principais Questões sobre Cuidados Obstétricos em Diabetes Mellitus Gestacional no Brasil. Rio de Janeiro, 02 fev. 2026. Disponível em: <https://portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br/atencao-mulher/principais-questoes-sobre-cuidados-obstetricos-em-diabetes-mellitus-gestacional-no-brasil>.