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Prevenção de Infecções por Microrganismos Multirresistentes em Serviços de Saúde

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Brasil. Agência Nacional de Vigilancia Sanitaria Prevenção de infecções por microrganismos multirresistentes em serviços de saúde – Série Segurança do Paciente e Qualidade em Serviços de Saúde/Agência Nacional de Vigilancia Sanitária – Brasilia: Anvisa, 2021.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a resistência microbiana é um grave problema de saúde pública e está associada ao aumento do tempo de internação, dos custos de tratamento e das taxas de morbimortalidade dos pacientes (1,2). Sendo que, o uso dos antimicrobianos na comunidade e no ambiente hospitalar associado a práticas inadequadas de controle de infecção, são reconhecidamente fatores de risco para seleção e disseminação da resistência microbiana.

Quando analisamos os dados da literatura sobre o impacto socioeconômico da resistência microbiana, podemos constatar que a situação é alarmante. Estima-se que anualmente nos Estados Unidos (EUA) e na Europa (EU) 25 mil pessoas morrem por ano devido a infecções causadas por microrganismos multirresistentes enquanto que na China este número pode chegar a 100 mil (2,3). Além da mortalidade, o impacto do custo para o sistema de saúde associado com a redução da capacidade produtiva pode chegar a 1,5 bilhões de euros por ano no mundo. Segundo a OMS, se a situação não mudar, a resistência microbiana aos antimicrobianos podem causar 10 milhões de mortes a cada ano até 2050 e danos catastróficos à economia, bem como, estima-se que até 2030 cerca de 24 milhões de pessoas poderiam ser forçadas à pobreza extrema (2,140).

Embora a transmissão de microrganismos multirresistentes (MDR) seja reportada com maior frequência em unidades críticas, de cuidados intensivos, todos os serviços de saúde são afetados pela seleção e disseminação de MDR (4,5). A gravidade e a extensão das infecções causadas por esses patógenos variam de acordo com as populações afetadas e com as características dos serviços de saúde, que por sua vez, podem possuir desde unidades ambulatoriais e de cuidados prolongados/crônicos até unidades especiais como unidades de terapia intensiva (UTI), unidades de queimados, etc. (6,7). Por essa razão, as ações de prevenção e controle desses patógenos precisam ser adaptadas individualmente às necessidades específicas de cada população e instituição (4,8).

As medidas de prevenção e controle de infecção são reconhecidas há muito tempo como um importante componente da assistência à saúde e afetam diretamente a segurança dos pacientes. Nesse ínterim é consenso mundial que o controle da disseminação de MDRs deve ser prioridade e requer que todas as instituições e agências de saúde se comprometam; e o sucesso destas ações está intimamente relacionado com as práticas de prevenção e controle de infecção.

Em 2017, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou os microrganismos multirresistentes de acordo com sua importância epidemiológica sendo que Acinetobacter baumannii, Pseudomonas aeruginosa e membros da família Enterobacteriaceae resistentes aos carbapenêmicos foram considerados de prioridade crítica e Enterococcus faecium resistente à vancomicina e Staphylococcus aureus resistente à meticilina, ou com sensibilidade intermediária/resistência à vancomicina foram entre outros, considerados como de alta prioridade para vigilância, pesquisa e desenvolvimento de novos antimicrobianos (1).

De acordo com essas recomendações e com a epidemiologia local, este Manual pretende abordar as principais medidas que devem ser adotadas para a prevenção e o controle das infecções relacionadas a esses microrganismos multirresistentes. Além disso, devido à importância epidemiológica atual, abordaremos também as medidas de prevenção e controle de infecções causadas por Clostridioides difficile.

Disponível Em: <https://www.gov.br/>