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Reanimação do Prematuro < 34 semanas em sala de parto: Diretrizes 2016 SBP

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Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Programa de Reanimação Neonatal. Reanimação doPrematuro < 34 semanas em sala de parto: Diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria. 2016.

A sobrevida de recém-nascidos prematuros(RNPT), definidos como os nascidos vivos com idade gestacional <37 semanas, reflete a estrutura e a qualidade do cuidado antenatal, da assistência ao trabalho de parto e parto e do atendimento neonatal. Segundo a Organização Mundial de Saúde em 2012, no relatório “Born Too Soon: The Global Action Report on Preterm Birth”, o Brasil é o 10º país do mundo em número de nascidos vivos prematuros e o 16º em número de óbitos decorrentes de complicações da prematuridade.1Dados de 2013indicam que, no Brasil, nascem cerca de três milhões de crianças ao ano, das quais 350.000 apresentam idade gestacional <37 semanas, sendo 45.000entre 22-31semanas e 40.000 com peso ao nascer <1.500g.

A maioria dos RNPT precisa de ajuda para iniciar a transição cardiorrespiratória,necessária para a adequada adaptação à vida extrauterina. Dados da Rede Brasileira de Pesquisas Neonatais, composta por 20 centros universitários públicos, indicam que, nos anos de 2012-14, dos 4.352nascidos vivos de muito baixo peso, com idade gestacional entre 230/7-336/7 semanas,sem malformações, 62%foram ventilados com máscara facial ou cânula traqueal e6%receberam ventilação acompanhada de massagem cardíaca e/ou medicações na sala de parto.3Estudo da NICHD Neonatal Research Network, com dados referentes a 9.565 neonatos com idade gestacional entre 22-28 semanas e peso de 401-1.500g, nascidos entre 2003-07, mostra que 67% deles receberam ventilação com pressão positiva (VPP), 8% necessitaram de massagem cardíaca e 5% de medicações na sala de parto.

Observa-se, portanto, que a necessidade de VPP e a de manobras avançadas de reanimação na sala de parto é bastante frequente em RNPT, especialmente naqueles de muito baixo peso. A elevada necessidade de ajuda para iniciar a respiração efetiva em sala de parto, ou seja, efetuar a transição para o ambiente extrauterino, e de reanimação propriamente dita nos RNPT se deve, de modo geral, à sua imaturidade global do ponto de vista anatômico e fisiológico. Tais pacientes têm propensão à perda de calor por apresentarem pele fina, pouco queratinizada, com tecido adiposo subcutâneo escasso e peso relativamente baixo em relação à grande superfície corporal, existindo ainda a perda de calor central do sistema venoso a partir do seio cavernoso, localizado logo abaixo da fontanela bregmática não ossificada. A respiração logo após o nascimento é pouco efetiva, uma vez que há imaturidade estrutural dos pulmões, do sistema surfactante, da musculatura e da caixa torácica, acompanhada de imaturidade do sistema nervoso central responsável pelo controle do ritmo respiratório.5A transição cardiocirculatória tem como obstáculos a dificuldade de adaptação volêmica, com propensão à hipotensão, e a fragilidade capilar, que facilita o extravasamento sanguíneo. As diversas dificuldades adaptativas do RNPT facilita no aparecimento de morbidades que contribuem para a mortalidade neonatal.6No Brasil, série temporal de 2005-10 demonstra que, de cada mil nascidos vivos de muito baixo peso sem malformações congênitas, 30-40 morrem com asfixia perinatal na 1ªsemana após o nascimento. Dentre os 25.033 óbitos neonatais precoce sassociados à asfixia perinatal e sem malformações congênitas ocorridos no período do estudo, 7.082 eram de muito baixo peso ao nascer.

Para ajudar na transição de RNPT do ambiente intrauterino para o extrauterino, período no qual a chance de morte ou morbidade é elevada, é fundamental contar com material adequado e uma equipe qualificada e capacitada a realizar de forma rápida e efetiva os procedimentos de estabilização e reanimação, de acordo com o estado da arte no que tange aos conhecimentos existentes. Desse modo, a participação do pediatra capacitado a estabilizar e/ou reanimar o prematuro em sala de parto é fundamental.

As condutas relativas à estabilização e reanimação do RNP Tem sala de parto no texto a seguir dão ênfase aosnascidoscom idade gestacional <34 semanas e baseiam-se nos documentos publicados pelo International Liaison Committee on Resuscitation (ILCOR) a cada cinco anos, sendo o último publicado em 2015.8-10A Força Tarefa Neonatal, responsável pela publicação mais recente, incluiu 38 membros de 13 países dos cinco continentes, com representantes brasileiros. Tais especialistas realizaram revisão sistemática de 26 temas relacionados à reanimação na sala de parto com a abordagem metodológica proposta pelo “Grading of Recommendations, Assessment, Development and Evaluation (GRADE) Working Group”. Conforme orientação do ILCOR, as recomendações publicadas servem de guia para a construção das diretrizes adaptadas à realidade de cada nação ou grupo de nações.Nesse contexto, já foram divulgadas as diretrizes em reanimação neonatal para a América do Norte12e Europa.

O resumo das diretrizes propostas pelo Programa de Reanimação Neonatal da Sociedade Brasileira de Pediatria pode ser visualizadono fluxograma(ANEXO 1).O texto a seguir abarca as diretrizes brasileiras para os RNPT<34 semanas de gestação.

Disponível Em: <https://www.sbp.com.br/>